Sarampo

Dr. Cornelis Johannes van Stralen
Dra. Maria Aparecida Andrés Ribeiro

 
O sarampo é uma doença facilmente transmitida a partir de alguém contaminado. É causada por um vírus, um micróbio muito pequeno que se aloja em grande quantidade no nariz e garganta, e que se espalha através do sangue. Assim, uma criança, por exemplo, pode pegar a doença simplesmente ficando junto a alguém que tem sarampo e que tussa, espirre, fale ou apenas respire perto dela. Não é brincadeira: ela pode contrair a doença apenas por estar no mesmo quarto de uma pessoa doente.

A principal razão pela qual o sarampo se transmite com tanta facilidade é que durante a primeira semana a pessoa infectada não percebe ou demonstra qualquer sintoma. 

Sendo assim, não pode, portanto, tomar alguns cuidados básicos, como ficar mais isolada, por exemplo. Neste período, quem não foi vacinado ou ainda não teve a doença pode contraí-la apenas pela proximidade a alguém contaminado. Além disso, o sarampo espalha-se mais facilmente em locais que apresentem grande concentração de pessoas - como escolas, festas infantis, parques. Você sabia que era tão fácil  pegar o sarampo?

Quais os sintomas e fases do sarampo? 

Os primeiros sinais surgem de 7 a 10 dias após o contágio. Esse período sem sintomas é chamado de fase de incubação. 

Passada esta fase, o sarampo começa a aparecer como se fosse um resfriado ou gripe: com febre, geralmente alta, mal-estar, nariz escorrendo, olhos vermelhos, inflamados e irritados, e tosse. Em seguida, a boca fica sensível e ferida, e a pessoa pode vir a apresentar diarréia. Quem tem sarampo não tolera luz nem claridade, portanto é recomendável que permaneça em ambientes com penumbra e evite assistir televisão. Após três dias, a febre passa e surgem manchinhas brancas dentro da boca, como grãos de sal. Geralmente, localizam-se mais na bochecha, perto dos últimos dentes, o que caracteriza a segunda fase da doença.

Com mais alguns dias, inicia-se a terceira fase: a febre volta e aparecem bolinhas avermelhadas pelo corpo: primeiro, atrás das orelhas e pescoço; em seguida, no rosto todo e, por último, nos braços e pernas.  Após essa erupção na pele, a pessoa geralmente sente-se melhor. As bolinhas duram cerca de 5 dias e se, nesta fase, a febre persistir pode-se suspeitar da ocorrência de alguma complicação. Caso isto ocorra, deve ser feita uma consulta médica. Além do mais, há outras doenças que também provocam o aparecimento de manchas vermelhas na pele, tais como a rubéola, o dengue, o exantema súbito e a escarlatina, o que pode gerar confusão no diagnóstico. 

É importante saber que a possibilidade de contágio existe desde a fase de incubação até cerca de quatro dias após o início da erupção das bolinhas avermelhadas na pele. Caso, nesse período, o doente faça contato com crianças ou adultos que não tiveram a doença, existe alta chance de que estes venham a contraí-la. Não havendo complicações, o sarampo dura cerca de uma semana a dez dias, e todos os seus sintomas desaparecem naturalmente. 

Qual o tratamento do sarampo?

Não existe tratamento específico. A pessoa com sarampo deve ficar de repouso, de preferência num ambiente com pouca luz, já que passa a não tolerar a claridade. O que se pode fazer-se é tratar os outros sintomas, ou seja, controlar a febre com banhos mornos ou compressas frias nas axilas, oferecer bastante líquido e alimentação saudável, usar umidificador ou realizar inalação do vapor de uma panela com água quente, cobrindo-se, nesse procedimento, a cabeça do paciente com uma toalha. Para aliviar a irritação, os olhos devem ser lavados com água boricada ou soro fisiológico. 

A pessoa com sarampo deve ser alimentada normalmente, mesmo que tenha febre ou diarréia. Neste último caso, ela deve tomar soro caseiro, para não ficar desidratada. Se houver complicações como dor no ouvido, tosse ou forte dor de cabeça, deve-se procurar ajuda médica.

Como prevenir o sarampo? 

O sarampo pode ser facilmente prevenido através da vacinação. No Brasil, a primeira dose da vacina anti-sarampo é aplicada aos 9 meses de vida. Aos 15 meses é repetida, sendo aplicada juntamente com a vacina contra a rubéola e a caxumba (a chamada vacina tríplice viral).

Quando uma criança apresenta sarampo, devem ser tomados alguns cuidados para evitar a transmissão da doença. Ela deve manter-se isolada de outras, porque não se sabe se todas foram vacinadas. Por sua vez, as crianças não devem visitar locais onde sabidamente exista alguém com sarampo - esta recomendação deve ser mantida até que a pessoa sare.

As crianças não vacinadas que moram em casas onde alguém esteja com sarampo devem evitar ir à creche, à escola, à igreja ou a qualquer outro local onde haja concentração de pessoas. Este cuidado evita a transmissão da doença, caso as crianças já estejam contaminadas e ainda não saibam disso.

Quem não foi vacinado, não teve a doença e manteve contato com alguém suspeito de estar com sarampo deve ser imediatamente vacinado, para que a doença seja bloqueada a tempo. É preciso, ainda, que os serviços de saúde sejam avisados, tão logo se saiba da existência de um caso suspeito. Com isso, evita-se que a doença se espalhe.

Se é verdade que o sarampo geralmente não envolve riscos mais sérios, não se pode esquecer que pode vir a apresentar complicações graves. Uma em cada dez crianças pode pegar infecção de ouvido; uma em cada vinte, pneumonia; e uma em cada mil pode vir a contrair encefalite, que é uma grave infecção no cérebro e pode deixar marcas para o resto da vida, tais como diminuição da capacidade mental, surdez e retardo do crescimento - podendo, inclusive, levar à morte. O sarampo torna-se um caso sério principalmente quando afeta crianças desnutridas  menores de cinco anos.

Até a descoberta da vacina contra o sarampo, quase todas as pessoas já o haviam contraído até os 15 anos. Por isso, muitos pensam que é uma doença de crianças, embora os adolescentes e adultos também possam contraí-la. Nos países que conseguem vacinar quase todas as suas crianças, praticamente não existem mais casos de sarampo.

Considerando que o sarampo é um grave problema de saúde pública, embora de fácil combate - basta vacinar as crianças -, o governo brasileiro iniciou uma grande campanha a partir de 1992, colocando em execução um plano para a erradicação dessa doença até o ano 2000.
 
Plano Nacional de Eliminação do Sarampo
  • Vacinar toda a população de 9 meses a 14 anos de idade, através de campanhas de vacinação, sem perguntar se alguém já teve ou não o sarampo ou se já foi vacinado - isto evitará o risco de deixar crianças sem vacinar;
  • Continuar a execução do programa de vacinação de rotina;
  • Cuidar para que, no mínimo, 95 crianças em cada 100 sejam vacinadas; 
  • Procurar todos os casos suspeitos de sarampo para realizar vacinação de bloqueio. Fazer exames e pesquisar onde estas pessoas pegaram o sarampo;

  • Fazer campanhas, através de televisão, rádio e imprensa, para que toda a população - incluindo políticos, lideranças comunitárias e profissionais de saúde - conheça o programa e colabore, chamando ou levando as crianças e jovens para ser vacinados, trazendo as crianças menores de 2 anos para vacinação de rotina nos postos e centros de saúde e notificando os casos existentes aos serviços de saúde. 

Como podemos ajudar a combater o sarampo?

De nada adianta existir vacina no posto de saúde se as famílias não levarem suas crianças para ser vacinadas, seja por falta de conhecimento sobre a importância da vacinação, seja por outros motivos e ou dificuldades familiares. 

Não adianta realizar campanhas se não dermos nossa colaboração, avisando os vizinhos e conhecidos sobre o dia e os locais da vacinação, bem como ajudando ou incentivando as famílias a levarem as crianças aos postos e comunicando aos centros de saúde a existência de casos suspeitos na vizinhança.

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